Valente

E foi-se o Cara Valente.

Foi embora o cara com penteado moicano todo modernoso. Foi embora o sujeito com uma meia dúzia de dentes na boca. Foi embora o cara que volta e meia tentava morder a canela das visitas… não por ser agressivo, mas por ter aprendido nas ruas que o tal do ser humano pode ser muito traiçoeiro e maléfico. Foi embora o cara que me acordava uivando às 3 da manhã, porque não queria ficar no quartinho dormindo. Foi-se o cara que demorou mas aprendeu a confiar em mim e pedir carinho. Foi-se o cara que precisava fazer fluidoterapia toda semana mas, por ter um pai de coração mole, acabava escapando da dolorosa agulha nas costas vez ou outra. Foi embora o cara que monopolizava um dos sofás da sala. Foi-se o meu bafento favorito. Foi embora o sujeito que, por ser paciente renal, mudou toda a dinâmica do resto da matilha. Foi -se o cara que pulava contente na cozinha sempre que eu fazia arroz (sem sal) e peito de frango desfiado pra misturar com a ração. Foi-se o meninão de latido rouco.

Na semana passada eu aproveitei uma lasquinha de sol de fim de tarde pra soltar os cachorros na grama e ficar brincando um pouco. Até 2 dias antes de ser internado, o Cara Valente estava (como a foto acima mostra muito bem) pulando alto só pra morder a galinha de borracha, correndo com o resto da matilha, grunhindo e reclamando com o seu mau-humor característico… mas a gente sabe que esse humor é coisa de um rapaz que sem ter proteção foi se esconder atrás da cara de vilão. Ficam aqui mais algumas fotos da última tarde de sol do CV junto com a gente. 

Já é o segundo cachorro que eu perco na semana do Natal. PQ, no dia 25 de dezembro (pra quem não entende porque eu parei de comemorar o Natal, tá aí a resposta). CV, dia 18 de dezembro. Até parece que “alguém” está querendo me ensinar alguma coisa… ou eu já estou com tantos pecados nas costas que tenho que começar a quitar a minha dívida desde cedo.

Você já tá fazendo falta, Cara...

Sergio BussComment